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     Este site é essencialmente a reprodução dos textos publicados na revista Merlino Presente! Cadernos de Combate pela Memória, de junho de 2013. Aqui estão reunidos textos do próprio Merlino, testemunhos sobre sua tortura e morte, rememorações de amigas e amigos, um breve histórico da luta internacionalista do POC-Combate, bem como textos de polêmica sobre a luta por Memória, Verdade e Justiça e sobre a luta contra a violência policial hoje, dando voz a nossos parceiros no caminho pela transformação do Brasil.

     Os textos aqui presentes são um manifesto pelo fim da impunidade, um registro histórico da luta de ontem com a esperança que ela não se repita no amanhã, já que hoje ela ainda permance instaurada e vívida nas atuações da polícia e da justiça, em todos os planos, mas principalmente nas ações contra a periferia mais pobre.

    Luiz Eduardo da Rocha Merlino  era um jovem bonito e talentoso, com um futuro promissor tanto profissional como politicamente, quando foi preso com apenas 23 anos, no dia 15 de julho de 1971. Levado para o DOI-CODI de São Paulo, na Rua Tutóia, torturado seguidamente por 24 horas no pau-de-arara e jogado em uma cela solitária, morreu no dia 19 por gangrena nas pernas.

    Nascido em Santos, participou, ainda adolescente, das lutas da década de 1960 no Centro Popular de Cultura da UNE. Depois, em 1966, ainda muito jovem, com 17 anos, foi integrado como jornalista na primeira equipe do recém-fundado Jornal da Tarde. Trabalhou ainda na Folha da Tarde, cobrindo o 30º Congresso da UNE, em Ibiúna, em 1968, onde foi preso com os estudantes. Por essa mesma época já tinha começado a militar no clandestino POC (Partido Operário Comunista). E entrou para o curso de História da USP. Quando foi preso fazia apenas três dias que acabara de voltar de uma viagem à França onde participara de um estágio de estudos e discussões com a Quarta Internacional e a Liga Comunista Revolucionária (LCR).

    Foi essa vida plena de caminhos para o futuro que a criminosa ação dos torturadores do DOI-CODI, então chefiado pela coronel Carlos Brilhante Ustra, interrompeu.

     Que estas memórias sirvam para documentar, para as novas gerações, o que significa a impunidade de que gozam, ainda hoje, os torturadores. Impunidade que se alimenta de uma política de esquecimento e da difusão da ignorância sobre a nossa história. Não esquecendo que a impunidade dos crimes da ditadura militar alimenta a impunidade dos crimes da violência policial de hoje.

Coletivo Merlino

contato@coletivomerlino.org

Colaboraram com a edição impressa da revista:
Angela Mendes de Almeida •  Bruno Maricato Vilela  •  Caio Polesi • Daniel Zanini • Fernando Vidal Filho •  Igor Ojeda •  Luciano Malheiros
Moacir Barbosa • Nicolau Bruno • Paula Sacchetta •  Peu Robles • Regina Merlino Dias de Almeida • Tatiana Merlino
Kiwi Companhia de Teatro •  Movimento Mães de Maio.
Capa: Moacir Barbosa.
Cabeçalho: ilustração sobre foto de Daniel Zanini e Arquivo Pessoal